O que mais me incomoda no cinema americano comercial, ou seja, Hollywoodiano, é a falta de compromisso com a realidade. Não estou falando claro de ficções e gêneros do tipo , mas de títulos mais banais, como os que retratam os adolescentes. Se a sua vida parece mediocre quando comparada com os personagens que se vê na tela não se desespere. É apenas um conto de fadas moderno fornecido pelos donos de estúdios. Só não se iluda, sua vida é mediocre mesmo.
É aqui que surge o cinema independente americano, que desmente o fato de que o cinema daquele país seja só lixo como atestam alguns. E não que os filmes independentes sejam só maravilhas , mas até os medianos estão anos-luz à frende dos “suportáveis” hollywoodianos (salvo raríssimas excessões, mas que me lembre nenhum desse “Gênero”).
Talvez o melhor exemplo deste contraponto seja “Bem vindo à casa das Bonecas” de Todd Solondz. A história é banal: garota feia e mal vestida de 11 anos é odiada na escola e desprezada em casa pelo pai passivo e pela mãe que descaradamente prefere a outra filha, bonitinha e bailarina. Enfim, mais um daqueles personagens típicos de comédias – românticas escolares.
Mas é aí que mora o engano. Ao contrário da maioria deste tipo de filme, Dawn Wiener , a garota, não se revelano fundo uma garota maravilhosa, sensível ou especial. Ela é realmente mediocre e desajustada , a tal ponto que nem se dá conta disso. Ela é igual à todos que a desprezam. Ela se vinga , fazendo o mesmo que fazem dela com aqueles que estão abaixo dela. O único adolescente que possui algum tipo de afeto por ela marca uma hora atrás da escola para poder estuprá-la. E ela comparece.
É nesse retrato cruel da adolescência que o diretor Solondz (que mais tarde provou ser mais polêmico que gênial no superestimado “Felicidade” e no melhorzinho “Storytelling”) nos faz pensar na verdadeira natureza humana e na tormenta que é ser adolescente. Para os que já passaram por esta fase resta somente rir das desaventuras da personagem (sim, o filme é uma comédia).
Com tema parecido, mas menos polêmico, temos também “Rushmore” de Wes Anderson (Os Exêntricos Tennembauns). No Brasil ele recebeu o ridículo titulo de “3 é demais”. No elenco além de Bill Murray, que parece ter encontrado um novo rumo na carreira, temos o jovem Jason Schwatzman que recentemente estreou a gênial comédia “I (heart) Huckabess” de David O. Russell (A Mão do Desejo, 3 Reis, Procurando Encrenca).
Mesmo que nem todos os filmes independentes não sejam ótimos pelo menos eles possuem uma qualidade inegável; fazem pensar. A grande maioria não decidem por você na conclusão da história.
Talvez com isso eles afastem o expectador comum que tiveram os neurônios fulminados pela máquina hollywoodiana, pessoas que adoram filmes com Julia Roberts, acham Vin Dísel o máximo e se emocionam com pérolas como “O mistério da Libélula ”. Essas pessoas não gostam desse tipo de filme, não conseguem entendê-los e não percebem como essa tarefa é simples: é só olharmos para dentro de nós mesmos e refletirmos por um momento.
Aí é só um passo para começar a entender o cinema nacional (desprezado por antecipação), o francês , o alemão , o japónês e a partir daí partirem para filmes mais profundos (ou pelo menos , Menos Idiota).
domingo, 29 de abril de 2007
Elementar, meu caro Watson !
Um filme injustamente esquecido pela maioria é o “Enigma da Pirâmide” do Barry Levinson. Não é nenhum clássico mas sem dúvida é daqueles que marcaram muitos da geração oitentista.
Esqueça os livros de Conan Doyle. Aqui, Sherlock é Watson se conhecem ainda na adolescência e o filme trás momentos saborosos para aqueles “iniciados” no personagem. E para os que não conhecem sobra aventura suficiente. Muitos acreditam até hoje que o filme é dirigido pelo Spilberg. Não é verdade, mas não há como negar o dedo no cineasta em cada detalhe da película.
Acredito que seja por esse filme o fascínio que tenho por estórias passadas na Londre Vitoriana ou em ambientes parecidos com a escola de “Adeus Meninos”, o mosteiro de “O nome da Rosa” (com aquele James Bond mais velho, como lembrado por Jorge Furtado).Nicholas Rowe e Alan Cox estão perfeitos como Sherlock e Watson e foi a primeira vez que me lembro de Ter ouvido “Carmina Burana” de Carl Off. Hoje aquela cena final já foi copiada centenas de vezes , mas ainda mantém seu charme.
Não é dos melhores filmes do mundo, mas quem assistiu quando criança nunca esquece, apesar de às vezes precisar de um empurrãzinho na memória. E o melhor, como quase tudo hoje em dia, se encontra em DVD.
Esqueça os livros de Conan Doyle. Aqui, Sherlock é Watson se conhecem ainda na adolescência e o filme trás momentos saborosos para aqueles “iniciados” no personagem. E para os que não conhecem sobra aventura suficiente. Muitos acreditam até hoje que o filme é dirigido pelo Spilberg. Não é verdade, mas não há como negar o dedo no cineasta em cada detalhe da película.
Acredito que seja por esse filme o fascínio que tenho por estórias passadas na Londre Vitoriana ou em ambientes parecidos com a escola de “Adeus Meninos”, o mosteiro de “O nome da Rosa” (com aquele James Bond mais velho, como lembrado por Jorge Furtado).Nicholas Rowe e Alan Cox estão perfeitos como Sherlock e Watson e foi a primeira vez que me lembro de Ter ouvido “Carmina Burana” de Carl Off. Hoje aquela cena final já foi copiada centenas de vezes , mas ainda mantém seu charme.
Não é dos melhores filmes do mundo, mas quem assistiu quando criança nunca esquece, apesar de às vezes precisar de um empurrãzinho na memória. E o melhor, como quase tudo hoje em dia, se encontra em DVD.
Luke ! Eu sou seu Pai !!
Quando eu era pequeno comprei um guia de filmes “especial para a garotada” escrito pelo Rubens Ewald Filho. Na época eu não me interessava necessariamente por cinema, mas a capa , com o Superman, a Mônica e o He-Man (!) me atraiu.
Depois de algum tempo eu já tinha decorado todas as críticas e informações do livro. Sabia tudo sobre filmes que eu nunca tinha visto. Era incrível como o autor conseguia transmitir o fascínio dele por cinema para a gente. Foi lá que aprendi que o filme não necessita ser perfeito para agradar, que pode-se gostar de “Scarface” por exemplo, mesmo reconhecendo suas limitações e excessos.
Tinha no livro uma foto do filme “Índiana Jones e o Templo da Perdição”, com o Harrison Ford (não fazia nem idéia de quem era na época) e a Kate Caphraw ma neve (revendo a foto hoje percebo que estão em um bote inflável, descendo o rio, mas tudo bem). Ela usava uma roupa branca e ele seu caracteístico traje escuro com chapéu. Porém na crítica dizia que ele no começo aparece diferente do filme anterior, de smocking branco, elegante e por algum tempo eu pensei que “a Indiana” fosse a kate Caphraw. Coisa de criança.
Na mesma época consegui uma fita de Atari chamada “Caçadores da Arca Perdida”. Não conseguimos jogá-lo direito e uma vez um amigo meu que tinha ganho um video recentemente conseguiu alugar à fita (pirata claro) , mas não conseguiu nenhuma informação que ajudasse no jogo. Naquela época as intermináveis reprises ainda não haviam tomado conta da televisão.
E foi também na mesma época que assisti a estréia na TV de “O Império Contra Ataca”. Me lembro exatamente do momento, na casa de meus avós, com a tv sintonizada na Globo, à noite. Ainda não existia a “Tela Quente”. Foi o filme que mais me marcou a infância e através do guia fiquei sabendo da existência de mais dois episódios da saga. E era muito difícil achá-los na época, pelo menos por aqui. Tinha apenas em uma locadora “O retorno de Jedi”. A febre das locadoras ainda estava no início, esta em questão fechou e eu não consegui assistir.
Finalmente, em Bauru, na casa da Avó de uma Tia que eu consegui maravilhado assistir a tão esperada continuação daquele final em aberto do capítulo anterior (uma ousadia na época e até hoje). Os Ewoks na época eram o máximo para a molecada. Hoje são ridículos.
E por fim consegui assistir ao primeiro dos filmes, o famoso “Guerra nas Estrelas” (hoje mais conhecido como Episódio IV – Uma nova Esperança, mas para mim o verdadeiro “Guerra nas Estrelas” e não “Star Wars” como quer o Marketing). Mas o melhor era sem dúvida o “Império contra ataca”, o primeiro de todos para mim. Vai ver é por isso que não acho estranho Ter de assistir aos novos episódios cronologicamente anteriores aos fatos mostrados na série antiga.
E finalmente estreava o “Retorno” na Tv. Foi o primeiro filme que passou na já citada “Tela Quente” . O segundo foi uma aventura chamada “A Fortaleza” (não me pergunte como me lembro disso) . Nunca soube nada sobre esse filme e nem conheço ninguém que o assistiu. Só sei que era sobre um grupo sequestrado e mantidos em um caverna.
Adorava me vestir de preto como o Luke Skywalker em o “Retorno”. Lembrei-me também de Ter tido uma mascara de Darth Vader que vinha no Nescau antes de saber do que se tratava. Nunca mais a achei. Carrego essa frustração até hoje.
Quando já nem tinha mais esperanças eis que finalmente George Lucas anunciou que iria completar a saga. Era a Guerra nas Estrelas Mania voltando à toda. Acompanhava as notícias pela Internet e depois de várias especulações finalmente estreou no final de Junho de 1999. Foi o dia em que nasceu a filha de um amigo e ele não pode ir assistir. Os tempos eram outros.
Foi emocionante quando as luzes se apagaram e depois de intermináveis traillers apareceu aquela frase em azul que topos estão carecas de conhecer. Por pouco mais de duas horas voltei a ser novamente criança, fato o qual mais admiro no poder do cinema. Um amigo que estava comigo no dia falava mal do filme. Ele não tinha assistido à série quando criança e não partilhava da mesma emoção. Hoje até compreendo ele. O episódio I é frio e sem vida. Não chega a ser ruim como muitos adoram massacrar, mas serve mais como prólogo para fãs da série. Não cativa muito.
Houve uma época, ainda no final dos anos 80, que consegui gravar o “Império” na TV. Em determinado momento já tinha visto ele 48 vezes. Hoje perdi a conta, mas não o vi muito no decorrer da década de 90 . No dia que os antigos estrearam novamente nos cinemas , em 97,em edições especiais cheguei a assistir os originais à tarde e depois ir ao cinema para ver as mudanças. Quando passou o “Retorno” decidi fazer algo que sempre tive vontade. Sentar-me nas primeiras fileiras para ver aquela cena de perseguição nas florestas de Endor de perto.
Para muitos é loucura, mas tenho pena daqueles que não tem como voltar a Ter aquela velha sensação legítima de voltar a ser criança outra vez.
Depois de algum tempo eu já tinha decorado todas as críticas e informações do livro. Sabia tudo sobre filmes que eu nunca tinha visto. Era incrível como o autor conseguia transmitir o fascínio dele por cinema para a gente. Foi lá que aprendi que o filme não necessita ser perfeito para agradar, que pode-se gostar de “Scarface” por exemplo, mesmo reconhecendo suas limitações e excessos.
Tinha no livro uma foto do filme “Índiana Jones e o Templo da Perdição”, com o Harrison Ford (não fazia nem idéia de quem era na época) e a Kate Caphraw ma neve (revendo a foto hoje percebo que estão em um bote inflável, descendo o rio, mas tudo bem). Ela usava uma roupa branca e ele seu caracteístico traje escuro com chapéu. Porém na crítica dizia que ele no começo aparece diferente do filme anterior, de smocking branco, elegante e por algum tempo eu pensei que “a Indiana” fosse a kate Caphraw. Coisa de criança.
Na mesma época consegui uma fita de Atari chamada “Caçadores da Arca Perdida”. Não conseguimos jogá-lo direito e uma vez um amigo meu que tinha ganho um video recentemente conseguiu alugar à fita (pirata claro) , mas não conseguiu nenhuma informação que ajudasse no jogo. Naquela época as intermináveis reprises ainda não haviam tomado conta da televisão.
E foi também na mesma época que assisti a estréia na TV de “O Império Contra Ataca”. Me lembro exatamente do momento, na casa de meus avós, com a tv sintonizada na Globo, à noite. Ainda não existia a “Tela Quente”. Foi o filme que mais me marcou a infância e através do guia fiquei sabendo da existência de mais dois episódios da saga. E era muito difícil achá-los na época, pelo menos por aqui. Tinha apenas em uma locadora “O retorno de Jedi”. A febre das locadoras ainda estava no início, esta em questão fechou e eu não consegui assistir.
Finalmente, em Bauru, na casa da Avó de uma Tia que eu consegui maravilhado assistir a tão esperada continuação daquele final em aberto do capítulo anterior (uma ousadia na época e até hoje). Os Ewoks na época eram o máximo para a molecada. Hoje são ridículos.
E por fim consegui assistir ao primeiro dos filmes, o famoso “Guerra nas Estrelas” (hoje mais conhecido como Episódio IV – Uma nova Esperança, mas para mim o verdadeiro “Guerra nas Estrelas” e não “Star Wars” como quer o Marketing). Mas o melhor era sem dúvida o “Império contra ataca”, o primeiro de todos para mim. Vai ver é por isso que não acho estranho Ter de assistir aos novos episódios cronologicamente anteriores aos fatos mostrados na série antiga.
E finalmente estreava o “Retorno” na Tv. Foi o primeiro filme que passou na já citada “Tela Quente” . O segundo foi uma aventura chamada “A Fortaleza” (não me pergunte como me lembro disso) . Nunca soube nada sobre esse filme e nem conheço ninguém que o assistiu. Só sei que era sobre um grupo sequestrado e mantidos em um caverna.
Adorava me vestir de preto como o Luke Skywalker em o “Retorno”. Lembrei-me também de Ter tido uma mascara de Darth Vader que vinha no Nescau antes de saber do que se tratava. Nunca mais a achei. Carrego essa frustração até hoje.
Quando já nem tinha mais esperanças eis que finalmente George Lucas anunciou que iria completar a saga. Era a Guerra nas Estrelas Mania voltando à toda. Acompanhava as notícias pela Internet e depois de várias especulações finalmente estreou no final de Junho de 1999. Foi o dia em que nasceu a filha de um amigo e ele não pode ir assistir. Os tempos eram outros.
Foi emocionante quando as luzes se apagaram e depois de intermináveis traillers apareceu aquela frase em azul que topos estão carecas de conhecer. Por pouco mais de duas horas voltei a ser novamente criança, fato o qual mais admiro no poder do cinema. Um amigo que estava comigo no dia falava mal do filme. Ele não tinha assistido à série quando criança e não partilhava da mesma emoção. Hoje até compreendo ele. O episódio I é frio e sem vida. Não chega a ser ruim como muitos adoram massacrar, mas serve mais como prólogo para fãs da série. Não cativa muito.
Houve uma época, ainda no final dos anos 80, que consegui gravar o “Império” na TV. Em determinado momento já tinha visto ele 48 vezes. Hoje perdi a conta, mas não o vi muito no decorrer da década de 90 . No dia que os antigos estrearam novamente nos cinemas , em 97,em edições especiais cheguei a assistir os originais à tarde e depois ir ao cinema para ver as mudanças. Quando passou o “Retorno” decidi fazer algo que sempre tive vontade. Sentar-me nas primeiras fileiras para ver aquela cena de perseguição nas florestas de Endor de perto.
Para muitos é loucura, mas tenho pena daqueles que não tem como voltar a Ter aquela velha sensação legítima de voltar a ser criança outra vez.
Quando Eles eram Bonzinhos
Devo confessar que nunca assisti à “E.T.” quando criança. A única lembrança que tenho do filme quando pequeno era da minha tia falando que levaria eu e meus primos para assistir no cinema (o video ainda era um sonho) se o filme voltasse a passar. Promessa essa nunca cumprida. E eu não me lembro de Ter assistido na televisão. Conhecia apenas aquelas cenas já memorizadas no imaginário popular, cuja mais famosa virou símbolo da Amblin do mesmo Spilberg.
Foi assim até eu Ter uns 20 anos. Tive a chance de assisti-lo antes, mas a incomoda adolescência me impedia de alugá-lo. E , surpresa, o filme me conquistou com todas as forças. Mas não vou perder tempo falando sobre o filme, todos o conhece muito bem (me recuso à acreditar que ainda exista outro “eu”), e além do mais o filme é tecnicamente perfeito. Se existe quem não gosta é porque não teve infância. Nelson Rodriguês declarou que “toda unanimidade é burra”. Ele tem razão, mas aqui é uma questão de sentimentos e não de inteligência.
Tempos atrás “E.T.” voltou ao cinema, ligeiramente alterado, com efeitos melhorados para a nova geração e cenas inéditas. Finalmente consegui vê-lo em seu verdadeiro lar, a tela grande (e no original, em inglês !). Agora tudo está completo. Só faltou minha tia e meus primos, mas acho que eles nunca levaram isso à sério.
Foi assim até eu Ter uns 20 anos. Tive a chance de assisti-lo antes, mas a incomoda adolescência me impedia de alugá-lo. E , surpresa, o filme me conquistou com todas as forças. Mas não vou perder tempo falando sobre o filme, todos o conhece muito bem (me recuso à acreditar que ainda exista outro “eu”), e além do mais o filme é tecnicamente perfeito. Se existe quem não gosta é porque não teve infância. Nelson Rodriguês declarou que “toda unanimidade é burra”. Ele tem razão, mas aqui é uma questão de sentimentos e não de inteligência.
Tempos atrás “E.T.” voltou ao cinema, ligeiramente alterado, com efeitos melhorados para a nova geração e cenas inéditas. Finalmente consegui vê-lo em seu verdadeiro lar, a tela grande (e no original, em inglês !). Agora tudo está completo. Só faltou minha tia e meus primos, mas acho que eles nunca levaram isso à sério.
Labirinto
Este é daqueles filmes que decepcionam quando visto atualmente, principalmente pela música anos 80 de David Bowie, o atrativo máximo do filme quando se tinha 10 ou 15 anos e que hoje soam datadas e sem inspiração. Basta ouvir qualquer coisa que o cantor tenha feito anteriormente e/ou atualmente para comprovar o mesmo. Quem sabe “Underground” se salva mas as outras lhe diminuem o impacto. “Magic Dance” beira o insuportável. Isso sem falar no visual de Bowie como o Rei dos Duendes (onde acharam aquela peruca !!).
Mas antes que me atirem as pedras, nem tudo é mal. Eu disse apenas que decepciona. O filme continua interessante, ainda mais se comparável com o que se faz hoje. Mas não gosto muito dessas comparações. O filme deve Ter atrativos por sí só, e não para tampar buracos. Os bonecos de Jim Henson (Muppets) são ótimos e o roteiro foi escrito por Terry Jones, um dos malucos do Monthy Phyton. Isso sem contar pelo menos 3 momentos brilhantes e inspirados. E claro, o principal motivo, que é a gracinha da Jennifer Connely, que hoje , depois de anos sumida virou uma grande atriz (Casa de Areia e Névoa, Réquiem para um Sonho, Águas Negras), ao contrário de muitos astros mirins.
E já que citei o nome de Henson, outro filme que me lembro com carinho é “O Cristal Encantado”. Na época era meio assustador. Hoje deve ser brincadeira de criança. Nem sei se desejo vê-lo novamente. Tenho o DVD na estante, mas o melhor deve ser conservar a magia e não fazer o que fiz com “Labirinto”.
E Labirinto por Labirinto melhor ficar com o do Fauno.
Mas antes que me atirem as pedras, nem tudo é mal. Eu disse apenas que decepciona. O filme continua interessante, ainda mais se comparável com o que se faz hoje. Mas não gosto muito dessas comparações. O filme deve Ter atrativos por sí só, e não para tampar buracos. Os bonecos de Jim Henson (Muppets) são ótimos e o roteiro foi escrito por Terry Jones, um dos malucos do Monthy Phyton. Isso sem contar pelo menos 3 momentos brilhantes e inspirados. E claro, o principal motivo, que é a gracinha da Jennifer Connely, que hoje , depois de anos sumida virou uma grande atriz (Casa de Areia e Névoa, Réquiem para um Sonho, Águas Negras), ao contrário de muitos astros mirins.
E já que citei o nome de Henson, outro filme que me lembro com carinho é “O Cristal Encantado”. Na época era meio assustador. Hoje deve ser brincadeira de criança. Nem sei se desejo vê-lo novamente. Tenho o DVD na estante, mas o melhor deve ser conservar a magia e não fazer o que fiz com “Labirinto”.
E Labirinto por Labirinto melhor ficar com o do Fauno.
O Céu
Ainda não me decidi qual é a minha idéia e Céu. Por ora seria em branco e preto. E ainda não sei se quem me receberia seria a Anita Ekberg ou a Gene Tierney.
Bogart estária no fundo, segurando um copo de bourbom, enquanto Dashiell acenaria, mostrando-me onde está. Depois de algumas doses, Fred MacMurray se junta à nós e as luzes se apagam. A banda de Glen Miller começa a tocar e o ambiente vai mudando, ficando mais glamuroso, a medida em que Lana Turner, Rita Hayworth, Mary Pickford, Ingrid Bergman fossem chegando.
Marlon Brando também estaria lá, mas os são os olhos dela que estariam direcionados à mim – uma tímida, porém sorridente Audrey Hepburn em um vestido preto e opulente. Ela aceitaria uma dança e como no maior clichê a música mudaria de ritmo e assim como Richard Beymer e Natalie Wood , só haveria nós no salão. E já que citei a Natalie...
Mas quem sabe o Céu também pode ser colorido, como o sol de verão, mulheres com franja na testa e lápis nos olhos. Uma Swinging London, habitada por criaturas como Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Jane Birkin e Brigitte Bardot (mas não acredito, pelo menos por enquanto). Enfím, mutável.
De qualquer forma seria o Céu.
Bogart estária no fundo, segurando um copo de bourbom, enquanto Dashiell acenaria, mostrando-me onde está. Depois de algumas doses, Fred MacMurray se junta à nós e as luzes se apagam. A banda de Glen Miller começa a tocar e o ambiente vai mudando, ficando mais glamuroso, a medida em que Lana Turner, Rita Hayworth, Mary Pickford, Ingrid Bergman fossem chegando.
Marlon Brando também estaria lá, mas os são os olhos dela que estariam direcionados à mim – uma tímida, porém sorridente Audrey Hepburn em um vestido preto e opulente. Ela aceitaria uma dança e como no maior clichê a música mudaria de ritmo e assim como Richard Beymer e Natalie Wood , só haveria nós no salão. E já que citei a Natalie...
Mas quem sabe o Céu também pode ser colorido, como o sol de verão, mulheres com franja na testa e lápis nos olhos. Uma Swinging London, habitada por criaturas como Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Jane Birkin e Brigitte Bardot (mas não acredito, pelo menos por enquanto). Enfím, mutável.
De qualquer forma seria o Céu.
A Comédia Política (ou rindo de nós mesmos)
“Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação” (Foucault)
Em tempos de crise política é interessante notar como o cinema argentino consegue retratar as mazelas econômicas que assolam o páis de uma forma universal e criativa.
O primeiros desses filmes a fazer sucesso por aqui (e no resto do mundo) foi o divertido “9 rainhas”, que conta a história de dois trambiqueiros que se encontram por acaso e recebem por sorte do destino a chance de conseguirem uma “bolada”, vendendo uma série rara de selos (as 9 rainhas do título) para um colecionador em fuga do país (um deputado corrupto cheio da grana). Para o expectador mais atento está tudo aí: o modo de vida, os desejos e falta de ética de uma maioria da população, centrada nas duas figuras (não por acaso trambiqueiros simpáticos). De fundo , uma Argentina pré-crise. E é incrível constatar como a “européia” Argentina, aqui, se parece com o centro decadente de São Paulo.
Os americanos refilmaram “9 rainhas” no ano passado. Por aqui teve o oportuno título de “171” e já se encontra nas locadoras. A história é a mesma, mas perdeu toda a inteligência e implicações políticas do original.
E enquanto os cineastas brasileiros ficam mendigando ajuda do governo a Argentina fez mais uma obra prima. Trata-se de “O Pântano” de Lucrécia Martel. Fez grande sucesso no circuito alternativo brasileiros e pode ser facilmente encontrado em DVD. É possivelmente o melhor título a pintar por aqui esse ano.
O “Pântano” é cinema político de primeira. Talvez não o típico filme político a que você esteja acostumando já que se trata de uma comédia. A primeira cena já diz ao que veio: Um grupo de pessoas . reunidas à beira de uma piscina imunda. Uma delas cai e se machuca enquanto ninguém faz nada para ajudar. As crianças (o futuro) parecem viver em um mundo à parte.
Em outra cena , estas mesmas crianças encontram uma vaca atolada no charco. A morte é iminente, não à nada a se fazer. Mais direto impossível. É uma síntese precisa de uma sociedade em crise e que guarda mais particularidades com a nossa do que aceitamos à acreditar.
Ambos os filmes são um ótimo retrato social e político, feito com inteligência e que está anos-luz á frente dos títulos alienantes que reinam nas prateleiras. Uma comédia caustica que se vista com um olho crítico e um mínimo de inteligência se transformará numa ótima lição sobre a natureza humana
A parte acima do texto foi escrita há um tempo em razão da crise na Argentina. Infelizmente se assemelha bem ao que o Brasil está passando. O clima de “eu já sabia” sobre os escândalos do Governo serve também para ilustrar o individualismo, a falta de ideologias e do posicionamento moral do povo brasileiro, melhor traduzido como o famoso “jeitinho brasileiro”.
Dois outros títulos interessantes são dois filmes alemães imperdíveis. O primeiro , “Adeus Lenin” conta a história de uma mulher, comunista ferrenha, que, momentos antes da derrubada do Muro de Berlin e da mudança de regime, entra em coma. Ao acordar o médico adverte ao filho que ela não pode ter grandes emoções devido ao seu estado. Assim, ele , como a ajuda de um amigo e do resto da família, escondem o fato dela e fazem de tudo para que ela pense viver no mesmo país de antes. O filme é gênial, irônico e crítico, sem ser chato e panfletário. O outro título é “Edukators” , sobre um grupo de jovens que entram em casas de ricaços enquanto estes viajam e “redecoram-a” a seu gosto.
E já se encontra nos cinemas o mais novo filme de Danny Boyle (Trainspotting, Extermínio), “Caiu do céu”. O filme tem lá suas falhas mas é interessante acompanhar a história de dois garotos que perderam a mãe. O mais novo e suscetível deles interessa-se por Santos e vive isolado. Um dia , uma mala de dinheiro cai do céu. São pelo menos 300 mil libras e à poucos dias a moeda mudará para o Euro. O menino quer doar para os pobres, achando que é isso que Deus quer dele, mas seu irmão tem motivos bem menos nobres para o dinheiro. Enfim é o quadro social que o filme retrata o que mais interessa no momento. Não é o mais profundo dos filmes é interessante notar como os temas estão ligados;
Por fim, já que o assunto é política, com a recente revelação de um dos maiores mitos jornalísticos dos últimos tempos, a identidade sobre quem era “garganta profunda”, informante chave do caso Waltergate, o escândalo que causou a renúncia do Presidente Nixon, uma boa pedida é o filme “Todos os Homens do Presidente”, com Robert Redford e Dustin Hoffman. É antigo mas quem sabe com ele aprendamos alguma coisa sobre os homens do Presidente.
Em tempos de crise política é interessante notar como o cinema argentino consegue retratar as mazelas econômicas que assolam o páis de uma forma universal e criativa.
O primeiros desses filmes a fazer sucesso por aqui (e no resto do mundo) foi o divertido “9 rainhas”, que conta a história de dois trambiqueiros que se encontram por acaso e recebem por sorte do destino a chance de conseguirem uma “bolada”, vendendo uma série rara de selos (as 9 rainhas do título) para um colecionador em fuga do país (um deputado corrupto cheio da grana). Para o expectador mais atento está tudo aí: o modo de vida, os desejos e falta de ética de uma maioria da população, centrada nas duas figuras (não por acaso trambiqueiros simpáticos). De fundo , uma Argentina pré-crise. E é incrível constatar como a “européia” Argentina, aqui, se parece com o centro decadente de São Paulo.
Os americanos refilmaram “9 rainhas” no ano passado. Por aqui teve o oportuno título de “171” e já se encontra nas locadoras. A história é a mesma, mas perdeu toda a inteligência e implicações políticas do original.
E enquanto os cineastas brasileiros ficam mendigando ajuda do governo a Argentina fez mais uma obra prima. Trata-se de “O Pântano” de Lucrécia Martel. Fez grande sucesso no circuito alternativo brasileiros e pode ser facilmente encontrado em DVD. É possivelmente o melhor título a pintar por aqui esse ano.
O “Pântano” é cinema político de primeira. Talvez não o típico filme político a que você esteja acostumando já que se trata de uma comédia. A primeira cena já diz ao que veio: Um grupo de pessoas . reunidas à beira de uma piscina imunda. Uma delas cai e se machuca enquanto ninguém faz nada para ajudar. As crianças (o futuro) parecem viver em um mundo à parte.
Em outra cena , estas mesmas crianças encontram uma vaca atolada no charco. A morte é iminente, não à nada a se fazer. Mais direto impossível. É uma síntese precisa de uma sociedade em crise e que guarda mais particularidades com a nossa do que aceitamos à acreditar.
Ambos os filmes são um ótimo retrato social e político, feito com inteligência e que está anos-luz á frente dos títulos alienantes que reinam nas prateleiras. Uma comédia caustica que se vista com um olho crítico e um mínimo de inteligência se transformará numa ótima lição sobre a natureza humana
A parte acima do texto foi escrita há um tempo em razão da crise na Argentina. Infelizmente se assemelha bem ao que o Brasil está passando. O clima de “eu já sabia” sobre os escândalos do Governo serve também para ilustrar o individualismo, a falta de ideologias e do posicionamento moral do povo brasileiro, melhor traduzido como o famoso “jeitinho brasileiro”.
Dois outros títulos interessantes são dois filmes alemães imperdíveis. O primeiro , “Adeus Lenin” conta a história de uma mulher, comunista ferrenha, que, momentos antes da derrubada do Muro de Berlin e da mudança de regime, entra em coma. Ao acordar o médico adverte ao filho que ela não pode ter grandes emoções devido ao seu estado. Assim, ele , como a ajuda de um amigo e do resto da família, escondem o fato dela e fazem de tudo para que ela pense viver no mesmo país de antes. O filme é gênial, irônico e crítico, sem ser chato e panfletário. O outro título é “Edukators” , sobre um grupo de jovens que entram em casas de ricaços enquanto estes viajam e “redecoram-a” a seu gosto.
E já se encontra nos cinemas o mais novo filme de Danny Boyle (Trainspotting, Extermínio), “Caiu do céu”. O filme tem lá suas falhas mas é interessante acompanhar a história de dois garotos que perderam a mãe. O mais novo e suscetível deles interessa-se por Santos e vive isolado. Um dia , uma mala de dinheiro cai do céu. São pelo menos 300 mil libras e à poucos dias a moeda mudará para o Euro. O menino quer doar para os pobres, achando que é isso que Deus quer dele, mas seu irmão tem motivos bem menos nobres para o dinheiro. Enfim é o quadro social que o filme retrata o que mais interessa no momento. Não é o mais profundo dos filmes é interessante notar como os temas estão ligados;
Por fim, já que o assunto é política, com a recente revelação de um dos maiores mitos jornalísticos dos últimos tempos, a identidade sobre quem era “garganta profunda”, informante chave do caso Waltergate, o escândalo que causou a renúncia do Presidente Nixon, uma boa pedida é o filme “Todos os Homens do Presidente”, com Robert Redford e Dustin Hoffman. É antigo mas quem sabe com ele aprendamos alguma coisa sobre os homens do Presidente.
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